





8 DE MARÇO É DA MULHER






| Ciranda de Leitura encanta crianças |
Centro de Multimeios cria coral infantil municipal
Página 20 Rio Branco-AC, 29 de agosto de 2004
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No pequeno, mas aconchegante palco do teatro Hélio Melo houve um espetáculo nesta sexta-feira que normalmente só se vê em grandes cidades européias: estréia de um afinadíssimo coral infantil que, ao final de cada apresentação de músicas e poemas com temas infantis, arrancou da platéia entusiasmados aplausos e até lágrimas pela puerilidade e encantamento.
Acompanhadas de violão e guitarra, as crianças entoaram músicas de domínio público e de autores como Ivan Lins, Gonzaguinha e Padre Zezinho.
O Coro Infantil Municipal Boca Pequena, cuja criação é resultante do projeto piloto A Música Como Caminho, é de iniciativa da professora Kelen Mendes, com apoio da também professora Marília Bonfim, ambas do Centro de Multimeios da Secretaria Municipal de Educação (Seme). “Tivemos total apoio da secretária Raimunda El-Shawwa para desenvolver esse projeto porque ela também acalentava, há bastante tempo, o sonho de fazer algo semelhante na Secretaria”, explica Kelen Pinto.
O coral é composto por 30 meninos e meninas de 3ª e 4ª séries do ensino fundamental da Padre Diogo Feijó, escola municipal que mantém larga tradição de desenvolvimento de atividades artísticas e culturais com seu alunado.
“Procuramos trabalhar e ‘brincar’ com a mensagem expressa na palavra escrita, através dos poemas musicados, e iniciar um processo de musicalização desenvolvendo gradualmente noções de ritmo, percepção auditiva, respiração e relaxamento. Antes da afinação propriamente dita, priorizamos o trabalho em grupo, a valorização individual de cada criança, buscando assim desenvolver variáveis de auto-estima, capacidade de concentração, criatividade e disciplina”, diz Kelen Mendes.
O Coral é um projeto que deverá ser estendido a todas unidades de ensino da Seme. “Ações como essas é que fazem a diferença na Educação municipal. Além de atividades educativas inseridas no currículo escolar, há a preocupação de se trabalhar também a arte e a cultura para tornar a escola pública mais atraente para a criança e, com isso, obter melhores resultados no processo ensino/aprendizagem. Não é prédio mais bonito e nem mais equipado que vai fazer a diferença na educação, e sim a qualidade do ensino que é oferecido”, diz Raimunda El-Shawwa, explicando que outro aspecto que faz a diferença na rede de ensino do Município é o envolvimento dos profissionais da Educação neste processo, neste caso, com destaque para as professoras Kelen Mendes e Marília Bonfim.
O Coro Infantil Municipal Boca Pequena volta a se apresentar no dia 15 de setembro, data que a Seme estará reinaugurando as obras de reforma da escola Chico Mendes, do bairro Santa Inês. Que a semente germine! (Cleber Borges)
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O Centro de Multimeios é um lugar feito de histórias – histórias de sonhos, paixão e aventura. Mas, como toda grande realização, é também uma história de muito trabalho. Ele nasceu do desejo de uma vida nova na cidade, nas escolas e no coração das pessoas, onde livros e crianças fossem tão essenciais quanto ruas, merenda, prédios e política. Esse sonho foi alimentado pelo amor à literatura, inspirada por autores como Monteiro Lobato, Perrault, Maria Clara Machado, Drummond e Fernando Pessoa, cujas palavras e personagens se entrelaçam na casa e na escola dos nossos sonhos, abrindo caminhos para novas descobertas e aventuras.
O ponto de partida foi uma pequena biblioteca na sede da SEMEC, que, apesar de seu acervo modesto, abrigava uma grande quantidade de sonhos. Por ali passaram muitos apaixonados por livros, entre eles Nazaré Cavalcante, conhecida como "Pimentinha", pioneira na luta pela implantação de bibliotecas infantis nas escolas municipais e, posteriormente, coordenadora das Salas de Leitura, projeto desenvolvido em parceria com o MEC.
A partir de 1993, novas figuras se uniram à pequena sala da SEMEC, trazendo consigo sonhos e a determinação para realizá-los. Contudo, a notícia do encerramento do programa causou apreensão: como continuar levando esses preciosos livros às escolas?
Dessa questão surgiram projetos como o "Lixo Vira Livro", que associava a compra de livros com a educação ambiental, e a ideia de expandir a biblioteca central da secretaria para centralizar o acervo e apoiar a leitura nas escolas. Para que os livros continuassem a circular, mesmo que de forma rotativa, foram criadas as "caixas de leitura", inicialmente distribuídas para as escolas rurais.
Outro projeto, "Vida Nova na Escola", foi idealizado para levar não só livros às escolas, mas também artistas como Matias, Hélio Melo, Dinho Gonçalves, Marília Bonfim, Cilene, Teca, Lulu, Zélia e Mirtes, entre outros profissionais e amadores da fantasia que contavam histórias e encantavam as crianças. Embora esse projeto inicial tenha evoluído para novas formas, seu espírito permanece vivo no Centro de Multimeios.
Ao longo do tempo, muitos colaboradores anônimos se somaram a esses esforços, mostrando que o sonho poderia ir além da secretaria, das escolas e alcançar a comunidade. No início, em junho de 1994, o Centro de Multimeios recebia apenas três crianças. Em pouco tempo, esse número subiu para cerca de cinquenta, que compareciam assiduamente. Essas crianças traziam novas amigas, ouviam histórias, emprestavam livros, e, gradativamente, a frequência aumentou, abrangendo bairros como Habitasa, Cadeia Velha, Baixa Habitasa, Cerâmica e até Sobral.
Com o aumento de participantes, a equipe começou a organizar atividades, incluindo contação de histórias, projeção de filmes e brincadeiras. No final daquele ano, a Brinquedoteca Municipal foi criada, integrando brinquedos ao acervo, o que causou grande entusiasmo entre as crianças, mas sem tirar o destaque dos livros. Pelo contrário, o interesse pela leitura se intensificou.
Graças à parceria com a Fundação Garibaldi Brasil, esses sonhos se tornaram sementes que cresceram e deram frutos: clubes de leitura, brincadeiras, exibições de filmes, músicas, jogos de xadrez, teatro, e o desejo de aprender novas línguas. Esses sonhos e projetos formaram um legado que o Centro de Multimeios cultiva até hoje.
Assim como Xerazade, que mantinha seu público intrigado ao interromper suas histórias no momento mais envolvente, o Centro de Multimeios mantém o desejo de perpetuar suas histórias, convidando todos a retornarem e descobrirem cada dia um novo capítulo.
O Centro de Multimeios é, em essência, uma história dentro da outra – um novelo de sonhos que se entrelaçam e que, dia após dia, se tornam realidade. E, para entrelaçar essas histórias, ele conta com a inspiração de autores e personagens que nutrem o desejo de compartilhar o prazer das descobertas e das diversas linguagens do ser humano.
Secretaria Municipal de Educação. Democratização e Modernidade Administrativa. Rio Branco, 1996. (Vida Nova na Escola)
Livro: a troca
Pra mim, livro é vida; desde que eu era muito pequena os livros me deram casa e comida.
Foi assim: eu brincava de construtora, livro era tijolo; em pé, fazia parede, deitado, fazia degrau de escada; inclinado, encostava num outro e fazia telhado.
E quando a casinha ficava pronta eu me espremia lá dentro pra brincar de morar em livro.
De casa em casa eu fui descobrindo o mundo (de tanto olhar pras paredes). Primeiro, olhando desenhos; depois, decifrando palavras.
Fui crescendo; e derrubei telhados com a cabeça.
Mas fui pegando intimidade com as palavras. E quanto mais íntimas a gente ficava, menos eu ia me lembrando de consertar o telhado ou de construir novas casas. Só por causa de uma razão: o livro agora alimentava a minha imaginação.
Todo dia a minha imaginação comia, comia e comia; e de barriga assim toda cheia, me levava pra morar no mundo inteiro: iglu, cabana, palácio, arranha-céu, era só escolher e pronto, o livro me dava.
Foi assim que, devagarinho, me habituei com essa troca tão gostosa que – no meu jeito de ver as coisas – é a troca da própria vida; quanto mais eu buscava no livro, mais ele me dava.
Mas, como a gente tem mania de sempre querer mais, eu cismei um dia de alargar a troca: comecei a fabricar tijolo pra – em algum lugar – uma criança juntar com outros, e levantar a casa onde ela vai morar.
(Mensagem de Lygia Bojunga para o Dia Internacional do Livro Infantil e Juvenil, traduzida e divulgada nos 64 países membros do IBBY).








Um lugarzinho encantado
Onde reina a fantasia
Neste lugar...
O tempo passa lentamente
E de tão especial,
Seu acesso é bem restrito
Só pode entrar quem se permite ser criança
Quem se deixa embalar pela música dos Brinquedos Cantados
Quem acredita ser personagem nas histórias que são contadas
Quem projeta a própria vida na tela do cinema ou no palco do teatro
E quando se sai de lá
Se, leva junto do peito, a esperança de um dia retornar
Porém, basta uma só vez, lá estar
Para aprender que as pedras que por ventura possamos encontrar no meio do caminho
São convites irresistíveis para se permitir voltar à fantasia,
Riscar linhas retas no chão com um graveto
E simplesmente nos entregarmos a alegria de se brincar amarelinha. (Lusiane)
O Núcleo Centro de Multimeios, da Secretaria Municipal de Educação de Rio Branco (SEME), participou da 51ª Expoacre, realizada no Parque de ...