terça-feira, 22 de outubro de 2013

Ainda sobre o FETAC EM CENA 2013

Sobre bordados e paradigmas

*Helcio Kovaleski

O início de “Chapeuzinho Vermelho”, do grupo Ciranda da Leitura, de Rio Branco (AC), apresentado no dia 25 de agosto no Teatro de Arena do SESC, foi uma “madeleine” proustiana. O pano de prato passadinho e com bordado colorido que esvoaçava de forma delicada da cesta de Chapeuzinho Vermelho (interpretada por Lázara dos Santos) trouxe à lembrança uma cozinha típica, daquelas bem arrumadinhas, com panelas, louças, toalhinhas e peças de biscuit para todo lado, onde há um fogão a lenha rodeado pela vovó e por seus netos, com direito a chocolate quente e pinhão assado na chapa. Enfeitando tudo isso, um belo pano de prato todo bordadinho, pendurado no fogão – bordadinho como a história que está sendo contada pela Vovó. Eis o retrato de uma vida campesina que está se tornando rara neste país.
Voltando ao espetáculo, mais do que uma metáfora, o bordado do pano de prato foi a constatação de que se trata de uma bela e delicada montagem focada (soube-se depois) em um público muito especial: crianças com faixa etária a partir de três anos. Direto ao ponto: não se podia esperar outra coisa de uma atriz/diretora tão talentosa e dedicada como Marília Bomfim.
Interessante notar que o Fetac em Cena 2013 programou dois espetáculos baseados nessa história clássica um dia após o outro. Na noite anterior (24), o grupo AE, de Cruzeiro do Sul (AC), apresentou “Contos de Contos”, no mesmo espaço, com uma versão bastante livre e a inclusão de outras narrativas. Já a montagem de Marília trouxe a história reescrita pelo compositor Braguinha.
Segundo Maria Cristina Gomes Barbosa de Lima, na dissertação de mestrado “Chapeuzinho Vermelho: a reescrita de Braguinha e Rubem Alves” (Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora, Juiz de Fora [MG], 2008), os contos de fada eram concebidos, em meados do século XVII, como entretenimento dos adultos e narrados em reuniões sociais, salas de fiar, nos campos “e em outros ambientes onde eles se reuniam”. “Somente a partir do século XIX é que se transformaram em literatura infantil. Muitas das preocupações que povoam a mente das crianças são projetadas, inconscientemente, nos vários personagens da história alimentados por conflitos e vivenciados pelas crianças no seu processo de crescimento”, afirma ela, no estudo do conto originalmente escrito por Charles Perrault e adaptado pelos Irmãos Grimm.
É sempre bom ver uma montagem que se propõe a recontar uma história clássica utilizando soluções bastante imaginativas e que desafiam a lógica semiótica do espetáculo. Desse ponto de vista, aliás, é bom lembrar que absolutamente tudo o que aparece num espetáculo é um signo. Portanto, assim, de cara, a primeira grande solução de Marília foi misturar linguagens: atores em cena com manipulação de bonecos. Enquanto as relações entre esses dois universos fica no registro dos diálogos, não há novidade alguma. Mas quando o boneco da Vovó é pego pelo Lobo Mau, nessa interferência de um mundo no outro ocorre um rompimento com o paradigma e, de resto, com a gramática e a semântica do espetáculo. Estabelece-se, aí, um conflito que é extradiegético – ou seja, não é parte intrínseca da “história” que está sendo contada. A fruição, aí, então, é dupla, porque é tanto da forma quanto do conteúdo, e de quebra fica uma situação “stand by” a se resolver. Mas não demora muito para isso acontecer: quase no final da história, o boneco da Vovó volta ao seu cenário natural. Fecha-se, assim, o círculo do teatro.
Outro grande momento foi a entrada da Caçadora (Ione Soares, que também faz a manipulação dos fantoches da Mãe e da Vovó). A solução de ela entrar com aquela matilha de cães de pelúcia pendurada na cintura é um achado semiótico de grande resolução cênica. Só ficou faltando a atriz brincar de manipular mais os cãezinhos, para deleite da criançada.
A mensagem subliminar para o público, notadamente para os pimpolhinhos, é esta: no mundo da imaginação, pode tudo, e o teatro vira uma grande brincadeira – o que, aliás, deve ser o grande barato de uma montagem para crianças.
No mais, importante assinalar que é necessário repensar a execução de músicas inteiras no espetáculo. Não se deve esquecer que tudo aquilo que compõe uma montagem – figurino, adereços, sonoplastia, texto, iluminação – deve estar a serviço do teatro, e não o contrário. Claro que é importante mostrar as músicas para a criançada, mas, se for de alguns trechos, apenas, o poder de sugestão a esse público difícil torna-se exponencial.
Dito isto, detalhes como, por exemplo, os excessivos volteios de Chapeuzinho Vermelho ao som da clássica letra “Pela estrada afora...”, de Braguinha, e a repetição das pequenas é ótimas coreografias do Lobo Mau (Francisco Oliveira, o Tanaka) podem ser mais dosados. Outra sugestão é equalizar melhor o volume do violão, pois isso pode comprometer a fala dos atores (em certo momento, foi difícil escutar o que a Chapeuzinho falava).
No mais, é interessante notar ainda a adaptação da trilha sonora para o tom cromático do repente e do cordel – outro achado –; e o uso de material reciclável na máscara do Lobo Mau, uma ótima solução utilizada há anos pelo grupo GPT, do qual Marília também faz parte (como não lembrar-se de “A Menina e o Palhaço”, de 2001, em que ela e o ator/diretor Dinho Gonçalves construíram todo o cenário e os adereços com lixo reciclável?). A pergunta é: por que não fazer assim também em outras máscaras e adereços utilizados na montagem?
Por último, é digna de nota com louvor a atuação de Tanaka como o Lobo Mau. Como é gratificante ver um ator em idade madura em cena com essa disponibilidade e generosidade. Como foi dito no debate após a apresentação, o risco de Marília é ter de mudar o nome do espetáculo para “Lobo Mau”, tal é a performance “rouba-cena’ de Tanaka. Essa foi, sem dúvida, uma das belas imagens do Fetac em Cena 2013.


*Helcio Kovaleski é ator, diretor, crítico de teatro e já fez trabalhos como dramaturgo e dramaturgista. Natural de Ponta Grossa (PR), atualmente mora em Brasília (DF). Foi um dos debatedores do Fetac em Cena 2013.

Programação Especial do mês da Criança na Creche Maria Auxiliadora












quarta-feira, 19 de junho de 2013

O que é o que é?

Linha
Agulha
Tinta
Cola
Desenho
Vovó
Netinho
Retalho
Pincéis
Poesia
Fuxico
Tricô
Gliter
Tesoura
Máquina de costura
Música
Acalantos
Cetim
Feltro
Lã
...
Resposta: 
É o cenário das belas histórias que você vai ouvir na II Semana da Tradição Oral para Contadores e Escutadores de Histórias




















quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Escola Wilson Ribeiro

A equipe Ciranda de Leitura esteve hoje na escola Wilson Ribeiro, no Calafate.
A escola está realizando um lindo projeto de incentivo à leitura. Cada semana há uma apresentação artística e hoje foi a vez do Centro de Multimeios da SEME.
O tema da semana: "Contação de Histórias".
A equipe do Multimeios apresentou músicas infantis (brinquedos cantados), contou histórias e brincou de "disfeitera". A criançada fez a festa disputando versos!





Parabéns aos alunos professores e funcionários da Escola Wilson Ribeiro!!!

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Feliz Dia dos Pais!

O Centro de Multimeios da Secretaria Municipal de Educação parabeniza todos os pais que trabalham com práticas educativas, culturais e artísticas.


Nossa sincera homenagem aos colegas que somam à responsabilidade de ser pai, o compromisso com o ttrabalho que realiza no Multimeios!

Desejo a Você:

Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com os amigos
Viver sem inimigos
Filme na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Ouvir uma palavra amável
Ver a banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir não
Nem nunca, nem jamais
Nem adeus
Rir como criança
Sarar de resfriado
Escrever um poema de amor
Tomar banho de cachoeira
Aprender uma nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas com alegria
Uma tarde amena
Calçar um chinelo velho
Tocar violão para alguém
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu

Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Mais Livros!

A Biblioteca Pública  Municipal de Rio Branco, localizada na sede do Centro de Multimeios da SEME, recebeu nesta semana acervo de Literatura Infantil e Infanto-Juvenil.   
A Biblioteca foi contemplada pelo Programa de Ampliação e Atualização dos Acervos das Bibliotecas de Acesso Público, iniciativa da Fundação Biblioteca Nacional através de editais que beneficiarão todas as bibliotecas municipais, estaduais, comunitárias (urbanas e rurais) e os Pontos de Leitura inscritos no Cadastro Nacional de Bibliotecas, vinculado ao Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas.
Os livros já estão em processo de catalogação e em breve estarão a disposição do público. 
Com certeza esta é uma notícia que merece ser comemorada tanto pelos usuários da Biblioteca, como pelos alunos e professores beneficiados pelos Projetos Brinquedoteca e Mala de Leitura!
Venha conhecer o novo acervo!
Biblioteca Municipal de Rio Branco
Centro de Multimeios/SEME 
Rua Alvorada, 492, Bosque. Rio Branco/AC
centrodemultimeiosseme@gmail.com
(068) 3223-3923

Outubro Rosa - Palestra sobre saúde e autocuidado

No dia 16 de outubro de 2026, a equipe Ciranda de Leitura, do Núcleo Centro de Multimeios da Secretaria Municipal de Educação de Rio Branco ...